Milhões de crianças no Brasil ainda enfrentam dificuldades para ter acesso a algo básico: água potável e saneamento adequado. Um estudo do Unicef revela que 2,8 milhões vivem sem abastecimento de água adequado, e a situação é ainda pior em comunidades rurais e regiões mais vulneráveis.
O levantamento, que analisou dados de 2019 a 2023, aponta que o Acre lidera o ranking negativo, com 12,7% das crianças e adolescentes sem água canalizada em casa. Na sequência, estão Paraíba (12,2%), Amazonas (11,3%), Pará (9,8%) e Alagoas (9,1%). Apesar de avanços no período, ainda há 1,5 milhão de crianças em situação extrema, vivendo em residências sem qualquer acesso à água encanada.
Desigualdade no acesso à água e ao saneamento
A pesquisa destaca a grande diferença entre áreas urbanas e rurais: enquanto apenas 2,4% das crianças nas cidades não têm acesso adequado à água, esse número dispara para 21,2% no campo. No saneamento básico, a desigualdade é ainda mais evidente: 38% das crianças e adolescentes brasileiros vivem sem estrutura adequada, sendo que nas zonas rurais o índice chega a 92%.
A falta de saneamento também atinge mais fortemente os estados do Norte e Nordeste. No Acre, 31,5% das crianças vivem sem acesso a condições mínimas de saneamento, seguido pelo Amazonas (23,5%), Maranhão (19,8%), Pará (16,9%) e Piauí (13,7%).
“As análises regionais revelam desigualdades persistentes, com estados das regiões Norte e Nordeste apresentando as maiores taxas de privação. Em alguns desses estados, mais de 80% das crianças ainda vivem em condições de privação de direitos básicos, o que destaca a necessidade de políticas específicas que abordem as peculiaridades e os desafios dessas áreas”, aponta o estudo do Unicef.
Iniciativas para mudar essa realidade
Para tentar minimizar o problema, o Unicef implementou ações que, em 2024, beneficiaram mais de 250 mil pessoas em oito estados, incluindo cerca de 75 mil crianças e adolescentes. As iniciativas foram voltadas para escolas, unidades de saúde e comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas em estados como Pará, Amazonas, Amapá, Bahia, Pernambuco, Maranhão, Roraima e Rio Grande do Sul.
“Nosso trabalho é voltado para fortalecer as políticas públicas de acesso à água e ao saneamento, para que cada criança e adolescente no Brasil tenha esse direito garantido”, afirma Rodrigo Resende, Oficial de Água, Saneamento e Higiene do Unicef no Brasil.
A falta de acesso à água potável e ao saneamento não impacta apenas a higiene, mas também compromete a saúde, a alimentação e a educação das crianças. A pesquisa reforça a necessidade de investimentos e políticas públicas mais eficazes para mudar esse cenário.