
O líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ), reconheceu nesta quarta-feira (2) que o governo federal tem responsabilidade no aumento da reprovação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No entanto, ele considera que a baixa avaliação não reflete corretamente as entregas da gestão petista e que ainda há margem para reverter o cenário.
A declaração do parlamentar foi feita após a divulgação da pesquisa Genial/Quaest, que apontou que 56% da população desaprova o governo Lula – o pior índice desde o início do mandato.
“Nós não somos daqueles que olham uma pesquisa e ficamos chorando. A gente só acha injusto com as entregas do governo. E a culpa é do povo? Não, a culpa é nossa. Tem de fazer mais disputa, não é só comunicação, é política”, afirmou Lindbergh ao portal Metrópoles.
Comunicação em foco
Diante do crescimento da desaprovação, o governo realizou mudanças estratégicas na equipe de comunicação. Em janeiro, Lula substituiu o chefe da Secretaria de Comunicação (Secom), nomeando o marqueteiro Sidônio Palmeira para o cargo. A expectativa era de que a mudança ajudasse a melhorar a imagem do governo, mas os efeitos ainda não foram sentidos nas pesquisas.
Lindbergh, no entanto, argumenta que a nova estratégia precisa de mais tempo para surtir efeito.
“Em relação à comunicação, acho que vai melhorar. Sidônio entrou há pouco tempo. Isso aqui foi um ciclo de queda. Nas nossas pesquisas, já há estancamento”, afirmou.
Ele atribui a piora na avaliação do governo a episódios como a polêmica em torno das mudanças nas regras do Pix, que geraram críticas e foram revertidas, e a alta no preço dos alimentos, fator que ainda pressiona a inflação.
“O governo tem muita entrega. Estamos com o desemprego mais baixo desde 2012, tiramos 24 milhões de pessoas da miséria, aumentamos a renda. O programa Farmácia Popular oferece medicamentos gratuitos para milhares de pessoas, mas há um problema de percepção. Muitos não associam esses benefícios diretamente ao presidente Lula”, argumentou o deputado.
Cenário eleitoral e comparação com Bolsonaro
Mesmo com o índice de reprovação elevado, Lindbergh acredita que Lula pode recuperar popularidade e disputar a reeleição em 2026 de forma competitiva. Ele citou o exemplo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que também enfrentou altos índices de rejeição antes da eleição de 2022.
“Bolsonaro chegou a ter 53% de ruim e péssimo em dezembro de 2021, às vésperas da eleição, e ainda assim teve uma disputa apertada. Então, quando o governo entra em ação, mostrando suas realizações, tem uma grande força. Todos nós estamos com vontade de ir para a luta”, concluiu.
A avaliação do governo seguirá sendo monitorada nos próximos meses, enquanto o Planalto busca fortalecer sua estratégia política e de comunicação para conter a queda de popularidade.