Os Ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e das Relações Exteriores (MRE) expressaram seu pesar diante da decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de implementar novas tarifas sobre produtos brasileiros. O líder americano anunciou que os EUA passarão a taxar em 10% todas as importações originárias do Brasil.
O presidente dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira a imposição de novas tarifas sobre a importação de produtos estrangeiros. A medida, denominada “Dia da Libertação da América” por Trump, é justificada pelo presidente como uma forma de proteger a economia americana, embora acene para o risco de uma potencial guerra comercial.
“O governo brasileiro lamenta a decisão tomada pelo governo norte-americano no dia de hoje, 2 de abril, de impor tarifas adicionais no valor de 10% a todas as exportações brasileiras para aquele país. A nova medida, como as demais tarifas já impostas aos setores de aço, alumínio e automóveis, viola os compromissos dos EUA perante a Organização Mundial do Comércio e impactará todas as exportações brasileiras de bens para os EUA”, disse o governo por meio de nota.
No contexto, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou novas tarifas de importação contra diversos países, incluindo o Brasil, alegando “falta de previsibilidade” e barreiras comerciais elevadas. Em resposta, o Senado brasileiro aprovou a Lei da Reciprocidade Econômica (PL 2.088/2023), que autoriza o Brasil a adotar contramedidas comerciais, como restrições a importações e suspensão de direitos de propriedade intelectual, contra países que prejudiquem a competitividade comercial brasileira. O projeto agora segue para análise da Câmara dos Deputados.
O Brasil, um importante parceiro comercial dos Estados Unidos, deverá sentir significativamente os efeitos das novas barreiras comerciais e exigências estabelecidas pelo governo norte-americano.
O vice-presidente Geraldo Alckmin tem argumentado que os Estados Unidos possuem um superávit comercial com o Brasil, tanto na troca de bens quanto na prestação de serviços. Ele também destacou que, dos dez produtos mais exportados pelos norte-americanos para o Brasil, oito são isentos de tarifas de importação (possuem alíquota zero).
Ainda em fevereiro, Trump anunciou um aumento de 25% nas tarifas de importação de aço e alumínio, uma decisão com impacto direto no Brasil. No ano passado, as exportações brasileiras de aço para os EUA totalizaram 4,1 milhões de toneladas, conforme dados do Departamento de Comércio norte-americano.
“Os números são tão desproporcionais, são tão injustos. Ao mesmo tempo, estabeleceremos uma tarifa mínima de 10%. […] Isso será para ajudar a reconstruir nossa economia e prevenir fraudes”, disse Trump nesta quarta.
O governo brasileiro declarou que adotará medidas para proteger os interesses dos produtos nacionais perante o governo dos Estados Unidos, mantendo diálogo com o setor privado para definir as melhores estratégias.
“Ao mesmo tempo em que se mantém aberto ao aprofundamento do diálogo estabelecido ao longo das últimas semanas com o governo norte-americano para reverter as medidas anunciadas e contrarrestar seus efeitos nocivos o quanto antes, o governo brasileiro avalia todas as possibilidades de ação para assegurar a reciprocidade no comércio bilateral, inclusive recurso à Organização Mundial do Comércio, em defesa dos legítimos interesses nacionais”, pontuou o texto dos ministérios.
As pastas de Geraldo Alckmin e Mauro Vieira enfatizaram a aprovação da Lei da Reciprocidade Econômica aprovada no Congresso Nacional.