Em meio à polêmica gerada pela delação de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, fez uma declaração firme sobre a importância da colaboração. Em conversa com jornalistas nesta terça-feira (25/2), Mendes afirmou que a delação de Cid está “lastreada em fatos” e não deve ser desconsiderada por críticas externas.
As declarações de Cid à Polícia Federal (PF) têm sido alvo de controvérsia, especialmente após Bolsonaro questionar a legitimidade de uma audiência entre Cid e o ministro Alexandre de Moraes, alegando que o magistrado teria ameaçado sua família para pressionar a colaboração. Gilmar Mendes, no entanto, destacou que as contradições apontadas por Bolsonaro não afetam a credibilidade da delação. “É claro que a delação do Mauro Cid é extremamente importante. Estamos vendo que ela está lastreada em fatos,” afirmou.
O ministro também abordou as reivindicações para anular a delação devido às pressões sobre Moraes, afirmando que a integridade do processo não deve ser comprometida. “Vocês têm divulgado um diálogo que o ministro Alexandre de Moraes mantém com ele, mostrando as contradições. Mas essas contradições são diante de fatos já investigados,” explicou.
A discussão sobre a possibilidade de levar o julgamento de Bolsonaro para o plenário do STF também foi mencionada. Gilmar Mendes minimizou essa ideia, sugerindo que isso não alteraria o desfecho do caso. “Não mudaria nada. Aqueles que quisessem acreditar em votos absolutórios diriam que está correto o voto absolutório,” acrescentou.
A delação de Mauro Cid é um componente essencial das investigações que resultaram na denúncia de 34 pessoas, e Gilmar Mendes reafirmou que a continuidade da colaboração deve seguir o protocolo estabelecido pelo relator e juiz instrutor. “Não vejo como isso possa propiciar nulidade,” concluiu, defendendo a validade das apurações em andamento e a importância da delação no contexto das investigações.