
O mercado financeiro global enfrenta um dia de turbulência nesta sexta-feira (4), com o dólar disparando mais de 3% e alcançando R$ 5,81, enquanto o Ibovespa despenca. A reação ocorre após a China anunciar uma retaliação ao “tarifaço” implementado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Na quinta-feira (3), o dólar havia recuado 1,23%, atingindo seu menor valor do ano, R$ 5,62. Já o Ibovespa registrou uma leve queda de 0,04%, fechando aos 131.141 pontos. No entanto, o cenário mudou drasticamente nesta sexta, refletindo a incerteza nos mercados globais.
Impacto das tarifas e reação chinesa
O governo chinês anunciou que imporá tarifas de 34% sobre produtos norte-americanos, em resposta às novas taxas aplicadas por Trump. Além disso, Pequim também decidiu limitar as exportações de terras raras, minerais fundamentais para a produção de chips e tecnologia, aumentando as tensões entre as duas maiores economias do mundo.
Os mercados temem que essa escalada tarifária possa desencadear uma guerra comercial global. Com a elevação dos custos de insumos e produtos, a inflação nos EUA pode aumentar, reduzindo o consumo e pressionando a economia para uma possível recessão.
Cotações e oscilações do mercado
Por volta das 13h45, o dólar operava em alta de 3,28%, cotado a R$ 5,8133, chegando à máxima de R$ 5,8228. No dia anterior, a moeda havia fechado em R$ 5,6285, acumulando:
Queda de 2,28% na semana;
Recuo de 1,35% no mês;
Perda de 8,92% no ano.
O Ibovespa, principal índice acionário da B3, recuava 2,93%, situando-se em 127.299 pontos. Na quinta-feira, o índice havia fechado com leve alta de 0,04%, aos 131.141 pontos. Agora, o acumulado é:
Queda de 0,58% na semana;
Avanço de 0,67% no mês;
Ganho de 9,03% no ano.
Reflexos globais e declarações de líderes mundiais
O aumento das tarifas imposto pelos EUA foi criticado por diversas lideranças internacionais. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classificou a medida como um “duro golpe à economia mundial”, enquanto o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, alertou sobre impactos negativos a nível global.
No Brasil, o Senado aprovou um projeto que autoriza o governo a retaliar países que imponham barreiras comerciais aos produtos brasileiros.Perspectivas e temores do mercadoCom o aumento das tarifas em diversos setores, investidores receiam que a inflação global se intensifique, impactando a atividade econômica.
“Com tarifa no mundo inteiro, tudo fica mais caro até que o comércio global pare”, alerta o analista financeiro Vitor Miziara.
As bolsas internacionais também sofrem quedas expressivas:
No Japão, os índices recuaram quase 3%;
Na Europa, as perdas variam entre 4% e 7%;
Bos EUA, os principais índices caem cerca de 3%.
Diante do atual cenário, especialistas apontam que a escalada de tarifas e retaliações pode levar a uma desaceleração econômica mundial, tornando o dólar ainda mais atrativo como ativo de segurança, enquanto bolsas e mercados de risco seguem pressionados.