A polêmica em torno da Lagoa da Anta, em Maceió, Alagoas, ganhou um novo capítulo. Além de ser tema de debates e estudos técnicos, a questão da alteração urbanística da região será pauta de discussão na 11ª Comissão de Meio Ambiente e Proteção dos Animais da Assembleia Legislativa (ALE).
A Câmara de Vereadores de Maceió, por iniciativa do vereador Pierre, realizará uma audiência pública com o tema “Preservação x Expansão Imobiliária: o futuro da Lagoa da Anta”. O objetivo é promover um debate amplo e transparente sobre o futuro da Lagoa da Anta, um importante patrimônio natural e cultural da cidade, que vem sofrendo com a pressão da expansão imobiliária.
Ele também planeja convocar para o debate representantes da Construtora Record, responsável pelo megaprojeto imobiliário do Hotel Jatiúca, além de membros do Ministério Público de Alagoas (MPAL), da Secretaria do Patrimônio da União (SPU) e moradores da região.
“O tema em questão precisa ser debatido sob a ótica do desenvolvimento sustentável, equilibrando o crescimento econômico e a preservação ambiental. Aquela área tem uma riqueza natural grandiosa para a cidade e não pode ser privatizada de forma a impedir que os maceioenses usufruam dela, principalmente por se tratar de uma região sensível, que abriga manguezais, coqueirais e um ecossistema interligado à lagoa”, avalia.
O vereador afirma compreender que, dependendo do porte das torres a serem construídas, o projeto pode gerar impactos ambientais significativos e irreversíveis. Por isso, considera imprescindível a realização de estudos técnicos que embasem qualquer decisão sobre a área.
“A Lagoa da Anta sempre foi uma área polêmica e precisa ser tratada com responsabilidade, em se tratando de um patrimônio da cidade, garantindo que projetos desse porte beneficiem a população local e não apenas vislumbrem o crescimento imobiliário. Estamos tratando de um patrimônio da cidade de Maceió”.
Na ALE, o deputado Leonam informou que o assunto deverá ser debatido na Assembleia no mês de março. “Vamos discutir o que pode ser feito para evitar a degradação daquela área. Ali é um ponto importantíssimo para o meio ambiente, pois seu entorno envolve matas ciliares, e é crime qualquer tipo de interferência”, afirmou.
Leonam também expressou preocupação com os impactos do projeto na mobilidade urbana. “Aquela área do Posto 7 tem um alto fluxo de veículos. Construir 5 megatorres ali, com 2 mil vagas de estacionamento, serão 2 mil veículos a mais circulando”.
A TV Gazeta entrou em contato com a Construtora Record para obter informações sobre o projeto imobiliário. No entanto, um dos diretores, que estava viajando, informou que não poderia se pronunciar sobre o assunto.
A negociação, que ocorreu sob sigilo e foi confirmada por Hélio Abreu, sócio da construtora, inclui também a assunção pela Record de uma dívida de R$ 260 milhões do Grupo Lundgren com instituições financeiras.
A negociação entre a construtora Record e o Grupo Lundgren, que envolve o terreno do Hotel Jatiúca, em Maceió, Alagoas, revela detalhes financeiros significativos. Além de um pagamento inicial não divulgado, a Record assumirá uma dívida de R$ 260 milhões do Grupo Lundgren com instituições financeiras.