No fim de 2022, o então presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), deixou de encaminhar cinco representações contra a deputada Carla Zambelli (PL-SP) ao Conselho de Ética. Os documentos referiam-se ao episódio em que Zambelli perseguiu armada o jornalista Luan Araújo na véspera do segundo turno das eleições presidenciais. A informação foi confirmada pela assessoria da Câmara ao portal O Fator.
Conforme o regimento da Câmara, cabe à Mesa Diretora encaminhar diretamente ao Conselho de Ética as denúncias feitas por partidos com representação no Congresso. Três das representações foram apresentadas por partidos políticos: PSOL, PT e uma conjunta de PT e Rede. Outras duas foram protocoladas pelos então deputados Tabata Amaral (PSB-SP) e Bira do Pindaré (PSB-MA).
Entretanto, nenhuma das representações chegou a ser apreciada pelo Conselho de Ética, de acordo com registros no site da Câmara. O órgão realizou apenas três reuniões no fim de 2022, todas com menos de um minuto de duração e sem votações devido à falta de quórum.
O episódio voltou à tona nesta segunda-feira (24), quando o ex-presidente Jair Bolsonaro, em entrevista ao canal Inteligência Ltda., afirmou que a atitude de Zambelli prejudicou sua campanha e influenciou sua derrota no segundo turno. No dia seguinte, o Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria de 6 a 0 para cassar o mandato da deputada pelo caso da perseguição ao jornalista.
A situação de Zambelli já havia sido comprometida anteriormente, quando, em janeiro, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) decidiu por 5 a 2 pela cassação de seu mandato, devido à divulgação de informações falsas sobre o processo eleitoral de 2022. A deputada permanece no cargo enquanto aguarda recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
As representações contra Zambelli perderam validade em 1º de fevereiro de 2023, com a posse da nova legislatura. No mesmo dia, Arthur Lira foi reeleito presidente da Câmara com 464 votos, o equivalente a 90% dos deputados.