Confiar… eis uma palavra difícil de “confiança”, na seara política.
Alagoas está melhor – e não é de agora. Pelos estilos diferentes de governar e pelos acordos firmados, desde Manoel Gomes de Barros (Mano), o Estado tem caminhado para frente. Já falamos sobre esse tema aqui, mas vale repetir (quantas vezes forem necessárias). Também vale destacar que o alto clero político das Alagoas trabalha duro para evitar o surgimento de novos protagonistas, que não tenham DNA político já testado nas urnas. Os poucos que se aventuram têm vida curta. Pode anotar.
Vice-governador eleito em 1994, Mano, de pulso firme, assumiu depois da covardia generalizada contra Divaldo Suruagy. O professor caiu de joelhos em meio a um cenário catastrófico, promovido por aliados poderosos. Mano, com estilo totalmente diferente, assumiu após a renúncia de Suruagy e, rapidamente, conseguiu recursos federais para pagar seis meses de salários do funcionalismo em atraso. Também foi no curto governo de Mano que a “Gangue Fardada” foi desbaratada. Mano foi candidato à reeleição e perdeu para o socialista Ronaldo Lessa, que tinha estilo antagônico ao adversário. Os da época sabem porque Suruagy caiu e porque Mano perdeu.
Após dar início ao reposicionamento de Maceió (quando prefeito 1993/1996), como cidade com futuro econômico, Ronaldo deu as cartas em Alagoas por 7 anos e 4 meses e não permaneceu protagonista pelo erro estratégico de confiar no próprio ego e em alguns aliados. O legado de Ronaldo ficou menor quando não confiou no prolongamento do projeto de poder, se Luís Abílio (seu vice) fosse o candidato à sucessão.
Com o apoio de Ronaldo, o senador por três mandatos, Teotonio Vilela Filho, venceu para o governo, no maior esquema de traição já exposto em Alagoas, quando a quase totalidade dos caciques e caras pálidas com influência não correspondeu ao acordo com João Lyra. Assim como Ronaldo fez com Abílio, Téo Vilela fez com o amigo e político exemplar, José Thomaz Nonô. A vitória de Renan Filho aconteceu em meio ao desgaste político generalizado, porque Téo indicava que escolheria entre Nonô (seu vice), os secretários Marco Fireman e Luíz Otávio, ou o aliado senador Benedito de Lira. Mais uma vez o detalhe da confiança entrou em cena para mudar a sequência do jogo. Renan Filho venceu e não poupou artilharia contra o governo de Téo.
A confiança (ou desconfiança) também pegou Renan Filho. Ele afirmava, para todos, que Paulo Dantas, à época com apoio, apenas, de Marcelo Victor, presidente da Assembleia Legislativa, não tinha a menor chance de vitória. O ego, como fez com Ronaldo Lessa, só não lhe custou a sobrevivência política, porque Renan fez a intervenção que salvaria o clã Calheiros.
Agora será a vez de Paulo Dantas decidir pela lógica, pelo ego ou pelo erro. Os exemplos estão no seu passado, na mesma condição.
Daí você pode questionar: e o povo?
Resposta: o eleitor vota ou se abstém. Como vota, porque vota ou porque não vota também vai estar invocado pelo item CONFIANÇA.
O importante é que Alagoas não saia dos trilhos. Com relação à confiança… tem sido só um detalhe (QUE MUDA TUDO).
Fonte – Blog do Wadson Regis