A proposta do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de tomar o controle da Faixa de Gaza e expulsar os palestinos do território gerou uma forte reação da comunidade internacional. A Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou nesta quarta-feira (5) que tais medidas violariam a lei humanitária internacional.
O Escritório de Direitos Humanos da ONU (UNHR) destacou que “qualquer transferência forçada ou deportação de pessoas de território ocupado viola a lei internacional”. O alto comissário da ONU para direitos humanos, Volker Türk, enfatizou que “o direito à autodeterminação é um princípio fundamental do direito internacional e deve ser protegido por todos os estados”.
Repercussão global
A proposta de Trump, anunciada durante um encontro com o premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, na Casa Branca, foi amplamente condenada por líderes mundiais.
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, classificou a situação como “um genocídio” e afirmou que Gaza deve ser reconstruída pelos próprios palestinos. O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, defendeu o direito dos palestinos de retornar às suas casas e reconstruir o território.
A ministra das Relações Exteriores da Alemanha, Annalena Baerbock, disse que a expulsão dos palestinos seria “inaceitável e contrária ao direito internacional”. Da mesma forma, o governo francês reafirmou sua oposição ao deslocamento forçado da população palestina de Gaza, alertando que isso representaria uma grave violação do direito internacional.
O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, ressaltou que “Gaza é a terra dos palestinos e deve permanecer parte do futuro Estado Palestino”. O ministro das Relações Exteriores do Egito, Badr Abdelatty, reforçou a necessidade de reconstrução de Gaza sem que os palestinos deixem o território.
O governo russo, por meio do porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou que a solução para o conflito no Oriente Médio deve ser baseada na proposta de dois Estados, conforme estabelecido pelo Conselho de Segurança da ONU.
Acusação de limpeza étnica
A China também se manifestou contra a proposta de Trump, defendendo que Gaza deve permanecer sob administração palestina. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian, reforçou que “nos opomos à transferência forçada dos moradores de Gaza”.
O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, alertou que o plano de Trump para Gaza equivaleria a uma “limpeza étnica”, destacando que qualquer solução para o território deve respeitar os direitos humanos e a autodeterminação do povo palestino.
A situação continua a gerar tensões diplomáticas, com a comunidade internacional defendendo a necessidade de um acordo de paz baseado na solução de dois Estados.